Paralisação interrompe circulação de ônibus e afeta passageiros em Manaus nesta segunda-feira
20/07/2026
(Foto: Reprodução) Paralisação de ônibus em Manaus: rodoviários paralisam 100% da frota nesta segunda-feira
A circulação de ônibus foi interrompida em Manaus na tarde desta segunda-feira (20), afetando passageiros em diferentes regiões da cidade. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a categoria iniciou uma paralisação de 100% da frota de ônibus após as empresas de transporte coletivo não realizarem, até o início da tarde, o pagamento da primeira parcela dos salários da categoria, conforme prazo estabelecido por decisão da Justiça do Trabalho.
No início da noite, o sindicato liberou 70% da frota de ônibus para atender a passageiros na região central de Manaus. A medida é válida até o fim desta segunda-feira (20).
Imagens registradas no início da tarde mostram veículos parados nas avenidas Leonardo Malcher e Constantino Nery, nas proximidades do Terminal de Integração 1 (T1). (assista acima)
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp
Por volta das 16h, os motoristas de ônibus foram orientados a levar os veículos estacionados de volta para as garagens das empresas de transporte coletivo. Segundo apurado pela Rede Amazônica, ônibus do transporte alternativo e executivo foram liberados para pegar passageiros no Centro.
No início deste mês, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) concedeu uma liminar determinando que as empresas do transporte coletivo paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. Segundo o sindicato, esse prazo não foi cumprido nesta segunda-feira.
O presidente da entidade, Givancir Oliveira, afirmou que a categoria decidiu interromper as atividades diante do novo atraso e que a operação será retomada quando os salários forem pagos.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) informou que foi surpreendido pela paralisação do transporte coletivo urbano de Manaus, e afirmou que não recebeu aviso prévio nem foi procurado pelo sindicato dos rodoviários para tratar do movimento.
A entidade disse que mantém diálogo aberto com os trabalhadores, informou que vai adotar medidas judiciais para restabelecer a operação dos ônibus e espera que o serviço seja normalizado o mais rápido possível.
A Prefeitura de Manaus afirmou que não possui débitos pendentes do ano de 2026 junto ao Sinetram, "estando suas obrigações financeiras regularmente executadas para o ano corrente".
O Governo do Amazonas afirmou que está cumprindo as obrigações relacionadas ao Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual em Manaus e informou que repassou mais de R$ 31,1 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) referentes a 2025.
Sobre os valores ainda pendentes, o Estado disse que realizou um depósito judicial no ano passado, conforme determinação da Justiça, mas os recursos não foram liberados porque, segundo o governo, o Sinetram não assinou a petição conjunta necessária para concluir o procedimento.
O governo também afirmou que segue os critérios definidos pela Justiça para calcular os repasses da meia-passagem estudantil e disse que precisa dos dados detalhados de utilização do benefício pelos estudantes para efetuar os pagamentos. Segundo o Estado, essas informações ainda não foram apresentadas pelo Sinetram, o que impede novos repasses sem comprometer as exigências legais e de transparência na aplicação dos recursos públicos.
Sobre a alegação do Governo do Amazonas, o Sinetram respondeu que as empresas estão cumprindo uma decisão judicial de 2025 que determina a venda direta de meias-passagens ao Estado pelo valor de R$ 2,50, cabendo à Secretaria de Educação (SEDUC) fornecer a base de dados dos estudantes aptos e ao Sinetram disponibilizar os créditos correspondentes. Leia todas as notas na íntegra abaixo.
O g1 também apura se a paralisação foi precedida de assembleia da categoria e se o movimento observou os procedimentos previstos na legislação para deflagração de greve.
🔎 No sentido jurídico, para que o movimento seja considerado uma greve regular, é preciso observar os requisitos da Lei nº 7.783/1989, como deliberação em assembleia, comunicação prévia e, em serviços essenciais (como o transporte coletivo), manutenção do atendimento das necessidades inadiáveis da população.
PARALISAÇÃO DOS ÔNIBUS: Terminais ficam lotados e passageiros reclamam da falta de serviço em diversas zonas da capital
IMAGENS: Veja fotos da paralisação que interrompeu a circulação de ônibus em Manaus
O que disse o Sinetram sobre a paralisação
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informa que foi surpreendido, no início da tarde desta segunda-feira, com a paralisação do sistema de transporte coletivo urbano de Manaus.
O Sinetram esclarece que jamais deixou de manter diálogo com o sindicato representativo dos trabalhadores rodoviários e permanece aberto à negociação e à busca de soluções para as questões relacionadas ao setor. Contudo, na data de hoje, não houve qualquer iniciativa de diálogo ou comunicação prévia por parte da entidade sindical acerca da paralisação, tampouco foi apresentado aviso prévio de que o movimento grevista seria deflagrado nesta data.
Diante da interrupção inesperada de um serviço essencial, que afeta diretamente milhares de usuários que dependem diariamente do transporte coletivo, o Sinetram adotará as medidas judiciais cabíveis para buscar o restabelecimento da normalidade operacional do sistema.
O Sinetram reafirma sua permanente disposição para o diálogo responsável e espera que o serviço de transporte coletivo seja normalizado o mais rapidamente possível, reduzindo os prejuízos causados à população de Manaus.
O que disse a Prefeitura de Manaus
A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), esclarece que não possui débitos pendentes do ano de 2026 junto ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), estando suas obrigações financeiras regularmente executadas para o ano corrente.
A prefeitura reafirma seu compromisso com a manutenção e o pleno funcionamento do sistema de transporte coletivo urbano, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade da prestação do serviço e o atendimento à população manauara.
E reforça que segue no diálogo construtivo com os sindicatos das classes, que respeite os usuários do transporte coletivo.
O que disse o Governo do Amazonas
O Governo do Amazonas informa que vem cumprindo integralmente todas as obrigações, dentro de suas responsabilidades, relacionadas ao Passe Livre Estudantil destinado aos alunos da rede estadual de ensino em Manaus. Em relação aos valores referentes ao ano de 2025, o Estado repassou ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) o montante de R$ 31.101.000, 60.
Quanto aos demais valores pendentes, o Estado adotou todas as providências necessárias para viabilizar o pagamento, incluindo a realização de depósito judicial, ainda no ano passado, conforme determinação da 2ª Vara da Fazenda Pública. No entanto, os recursos não foram liberados em razão da recusa do Sinetram em assinar petição conjunta com o Estado do Amazonas necessária para solução do procedimento judicial e consequente liberação dos valores.
O Governo do Estado esclarece que segue rigorosamente os parâmetros definidos pela Justiça do Amazonas, que estabelecem o pagamento da meia-passagem estudantil com base no valor de R$ 2,50 por tarifa utilizada. Dessa forma, para que o cálculo do valor devido seja realizado de maneira correta, transparente e em conformidade com os órgãos de controle, é indispensável o acesso aos dados brutos de deslocamento dos estudantes, mês a mês. Entretanto, até o momento, o Sinetram não apresentou tais informações.
O Estado reforça que, por se tratar de recursos públicos, qualquer repasse deve obedecer aos critérios legais, técnicos e de transparência previstos na legislação vigente, não sendo possível efetuar pagamentos sem a devida comprovação e validação das informações.
O Governo do Amazonas permanece à disposição para o diálogo institucional e para a construção de uma solução que assegure a continuidade do benefício aos estudantes, com responsabilidade, transparência e segurança jurídica.
O que disse o Sinetram sobre a alegação do Governo do Amazonas
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (SINETRAM) vem a público esclarecer os fatos relacionados ao custeio do Passe Livre Estudantil, em resposta à nota divulgada pelo Governo do Estado do Amazonas sobre o tema.
O SINETRAM vem cumprindo a decisão judicial em vigor sobre a matéria. A política de gratuidade estudantil é objeto da Ação Civil Pública nº 0166280-09.2025.8.04.1000, ajuizada pelo próprio Estado do Amazonas perante a 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus. Em decisão interlocutória de 18 de junho de 2025, a Justiça deferiu a tutela de urgência requerida pelo Estado e determinou ao IMMU e ao SINETRAM que autorizassem e promovessem, de imediato, a venda direta das meias-passagens ao Estado do Amazonas pelo valor da tarifa pública estudantil de R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos). A decisão determinou ainda que os réus não impedissem o acesso dos estudantes da rede pública estadual ao transporte coletivo gratuito, cabendo ao Estado do Amazonas o custo das meias-passagens, pela tarifa de R$ 2,50. É essa decisão que o SINETRAM vem cumprindo.
Nos termos da sistemática estabelecida, cabe à Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC) fornecer a base de dados e identificar os estudantes beneficiários aptos a receber o Passe Livre Estudantil. Às empresas de transporte, representadas pelo SINETRAM, cabe disponibilizar os créditos de passagem aos estudantes constantes da base encaminhada pela própria SEDUC.
É exatamente isso que vem sendo feito: o SINETRAM disponibiliza mensalmente os créditos de transporte aos estudantes cadastrados pela SEDUC, não havendo registro de impedimento ou descontinuidade do benefício. Essas informações foram formalmente comunicadas à SEDUC por meio do Ofício nº 3730/2026/SINETRAM, de 2 de junho de 2026, apresentado em resposta a ofício encaminhado pela SEDUC em 27 de maio de 2026.
Diante disso, o SINETRAM rejeita a alegação de que o pagamento estaria inviabilizado porque o Sindicato não teria fornecido "dados brutos de deslocamento dos estudantes". Essa afirmação desvia a discussão daquilo que foi efetivamente determinado pela Justiça.
A decisão judicial não condicionou o pagamento dos créditos à comprovação de frequência escolar do estudante, tampouco atribuiu ao SINETRAM a obrigação de fiscalizar a participação de cada aluno em atividades curriculares ou extracurriculares. A determinação judicial é clara e objetiva: cabe ao SINETRAM promover a venda das meias-passagens ao Estado pela tarifa pública estudantil de R$ 2,50, cabendo ao Estado arcar com esse custo.
À SEDUC compete fornecer a base de dados e identificar os estudantes beneficiários. O controle de frequência às atividades escolares, por sua vez, é matéria da administração educacional, e não atribuição do SINETRAM ou das empresas concessionárias do transporte coletivo.
O SINETRAM já apresentou prestação de contas dos créditos disponibilizados, com identificação dos beneficiários por CPF, demonstrando a quem foram fornecidos os créditos do Passe Livre. Não procede, portanto, a tentativa de atribuir a ausência de pagamento a uma suposta falta de informações por parte do sistema de transporte.
O Ofício nº 3730/2026/SINETRAM, protocolado na SEDUC em 2 de junho de 2026, apresentou demonstrativo dos estudantes beneficiados, das passagens disponibilizadas e dos respectivos valores, acompanhado de planilhas analíticas referentes aos exercícios de 2025 e 2026, registrando que os créditos foram disponibilizados aos estudantes cadastrados pela SEDUC e que a metodologia utilizada seguiu parâmetros definidos pela própria Administração Estadual.
É preciso deixar claro, ainda, que a metodologia de cálculo utilizada pelo SINETRAM não foi criada pelas empresas de transporte. Ela decorre de parâmetros estabelecidos pela própria SEDUC em Nota Técnica de 20 de agosto de 2025, que considerou o número de alunos ativos informado mensalmente pela Secretaria, duas passagens por aluno por dia útil e 22 dias úteis por mês. Essa mesma metodologia foi utilizada nos pagamentos já realizados pelo próprio Estado: R$ 19.101.060,00 em 12 de setembro de 2025 e R$ 12.000.000,00 em 22 de dezembro de 2025.
Eventual discussão sobre o aperfeiçoamento futuro da metodologia de apuração não altera um fato objetivo: os créditos foram disponibilizados aos estudantes indicados pela SEDUC, em cumprimento à decisão judicial, e parte relevante dos valores correspondentes a esses créditos permanece sem pagamento.
Os números demonstram a dimensão do passivo. Pela metodologia adotada pela própria Administração Estadual, o valor correspondente ao exercício de 2025 alcançou R$52.158.315,00. Desse total, foram pagos R$31.101.060,00, restando um saldo de R$21.057.255,00. Somando-se os valores correspondentes ao período de fevereiro a junho de 2026, no total de R$23.543.740,00, o débito acumulado até junho de 2026 (calculado exclusivamente pela tarifa pública estudantil de R$ 2,50) alcança R$44.600.995,00.
Quanto à alegação de que recursos não teriam sido liberados em razão da recusa do SINETRAM em assinar petição conjunta, trata-se de questão processual que não altera a realidade material: os créditos foram disponibilizados em cumprimento à decisão judicial e existe um passivo correspondente a eles. Discussões processuais ou acerca de critérios a serem adotados futuramente não podem transformar as empresas de transporte em financiadoras, por prazo indeterminado, de obrigação de custeio atribuída ao Estado pela decisão judicial.
O SINETRAM reitera seu respeito ao Governo do Estado do Amazonas, mas ressalta que o passivo existente precisa ser quitado. As empresas de transporte cumpriram e continuam cumprindo, mês após mês, a obrigação que lhes foi imposta pela decisão judicial. É necessário, agora, que o Governo do Estado cumpra a sua parte, quitando os valores correspondentes aos créditos já disponibilizados aos estudantes da rede estadual.
Rodoviários paralisam circulação de ônibus em Manaus
Reprodução/Redes Sociais
Ônibus foram estacionados em avenida de Manaus durante paralisação dos rodoviários na capital amazonense.
Reprodução/Redes Sociais